A arte da imperfeição: Autodescoberta, os Grammys e Aceitar Quem Eu Sou

Por Yashira Marie Rivera-Calero Especial para Inti Media. 5 de fevereiro de 2025.

Por volta de 2003: Yashira adolescente (júnior) projetando e confeccionando um vestido de formatura como parte de seu projeto de conclusão de curso. Foto: Yashira Marie Rivera-Calero.

O perfeccionismo no mundo profissional e criativo pode ser debilitante. É uma característica e um sintoma com os quais tenho lutado desde que criei minha primeira pintura e peça de roupa sob medida. Para lidar com isso, e como recomendado pela minha terapeuta, ouvi A arte da imperfeição: Abandone a pessoa que você acha que deve ser e seja você mesmo, de Brené Brown. Este livro aclamado pela crítica me ofereceu perspectivas refrescantes sobre meu desenvolvimento pessoal e profissional, bem como minha hesitação em compartilhar meus talentos artísticos. Inspirada pelos ensinamentos de Brown, agora incorporei seus "Dez Guias para uma Vida Plena" em minha rotina diária.


Experiências pessoais, somadas a rótulos sociais e narrativas falsas, me impediram de abraçar plenamente meus talentos e conquistas.

Nos capítulos “Trabalho Significativo: Deixe de lado a dúvida e o ‘e se?’” Brown faz referência à pesquisa de Marci Albohoner, cujo trabalho enfatiza a importância de rejeitar a ideia de ser definido por uma única carreira, cunhando o termo "slash career" (multi carreira). A pesquisa de Albohoner ressoou profundamente em mim, pois sempre fui uma pessoa multifacetada e singularmente complexa. Desde jovem, fui impulsionada a aprender sobre uma ampla gama de assuntos, muitas vezes irrompendo espontaneamente em canto e dança. Embora isso possa parecer peculiar, como uma empata, muitas vezes caí no ciclo de negligenciar minhas próprias necessidades, colocando minha máscara de oxigênio por último e espiralando em sentimentos de insatisfação.


Experiências pessoais, somadas a rótulos sociais e falsas narrativas, me impediram de abraçar plenamente meus talentos e conquistas. No entanto, poucos dias após criar meu vision board (painel de inspiração) para 2025, adotar práticas de wholehearted (1) e me comprometer com a meditação diária, fui surpreendentemente chamada para ajudar uma amiga-irmã com seu visual para o tapete vermelho do Grammy. Essa mudança de mentalidade, por menor que fosse, me permitiu aproveitar décadas de experiência em construção de padrões e confecção de roupas.

O look do tapete vermelho se tratava de um quimono japonês sob medida, de segunda mão, que foi cuidadosamente limpo e restaurado (assista ao vídeo “Red Carpet Ready”, logo abaixo). O processo de restauração começou com a pesquisa a respeito da construção e a história do quimono, seguido por deixar de molho, secagem natural e muitas passadas de ferro e a vapor. Em seguida, reapliquei cuidadosamente todos os pontos base brancos cruciais (shitsuke ito) nos pontos de maior tensão—sim, esses pontos são medidos—o que é a marca registrada do artesanato e da alfaiataria japonesa. Usar roupas de segunda mão e brechós não é apenas ecológico, é revigorante. Afinal, as peças de arquivo usadas por celebridades no tapete vermelho são frequentemente de segunda mão e emprestadas.

 Por volta de 2018: Yashira, impressionada, com Sonia Sanchez, usando o agora famoso macacão dos anos 1970. Foto: Yashira Marie Rivera-Calero

O quimono foi combinado com um macacão Y. Vestis dos anos 1970, que eu havia comprado originalmente para minha coleção vintage pessoal há quase 15 anos. O macacão era perfeito para a ocasião—não apenas pelo conforto e versatilidade, mas por seu significado pessoal. A primeira e única vez que o usei foi quando conheci Sonia Sanchez, uma mulher que admiro profundamente e que representa o epítome da resiliência. Este era o visual ideal para um momento no Grammy, celebrando os talentos de um renomado músico de jazz filadelfiano e sua indicação, a amizade, a autodescoberta e a excelência negra durante o Mês da História Negra. Isso que é coincidência, incrível né?

A atual situação dos EUA certamente abalou meus ânimos, mas me recuso a desistir e perder a esperança. Utilizando os recursos disponíveis para mim—terapia, lembretes diários de autoestima e compaixão—acredito que o impossível pode se tornar realidade. Ao embarcar nessa jornada, uma das citações de Brené Brown ecoou em minha mente: “A única contribuição única que faremos neste mundo nascerá de nossa criatividade.” Se essa oportunidade surgiu por pura coincidência ou por manifestação, estou comprometida em abraçar minha criatividade e me recuso a ser confinada a uma única identidade—ou a negar qualquer parte dela.

(1) Brené Brown, utiliza a palavra wholehearted para descrever uma maneira de viver com integridade, paixão e vulnerabilidade.

Red Carpet Ready

Na foto estão a amiga de Yashira, Dawn Evans, e seu marido, o pianista de jazz americano Orrin Evans, cujo álbum Walk a Mile in My Shoes recebeu uma indicação ao Grammy este ano na categoria de Melhor Álbum de Grande Conjunto de Jazz.

Yashira Marie Rivera-Calero é Latina, Negra, Indígena, Ibérica, Extraordinária em Eventos / Gerente de projetos / Entusiasta das flores / Captadora de recursos / Corredora ávida / Curadora / Costureira / Artista / Guerreira Autoimune / Defensora da diversidade / Expert em Star Wars / Companheira de vida / Mãe de Augustus e Valencia—e muito mais!

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