Afro-latinos enfrentam persistentes disparidades no mercado de trabalho dos Estados Unidos, afirma estudo da UCLA
“Os dados destacam a necessidade de intervenções políticas direcionadas para abordar o impacto simultâneo da discriminação racial e étnica que esses trabalhadores enfrentam,” disse a pesquisadora Dra. Nancy López.
Por Jennifer Hernandez. 3 de março de 2025.
Foto: Burkett Photography
A comunidade afro-latina nos Estados Unidos representa um grupo cultural distinto que muitas vezes fica entre as classificações predominantes de “latinidade” e “negritude”. Essa interseção de fenótipo, cultura, local de nascimento dos pais e idioma molda as experiências dos afro-latinos, criando uma identidade complexa enraizada na América Latina colonial. Em 2020, o Pew Research Center estimou que aproximadamente 6 milhões de adultos afro-latinos residiam nos Estados Unidos, representando cerca de 2% da população adulta do país e 12% da população latina adulta, com cerca de 800 mil se identificando como não hispânicos.
“As Experiências no Mercado de Trabalho dos Afro-Latinos em Idade Ativa”, um relatório da UCLA publicado em agosto do ano passado, destaca as disparidades de emprego enfrentadas por esse segmento em rápido crescimento da população latina, que soma 63 milhões de pessoas. Os resultados sugerem que afro-latinos e afro-latinas enfrentam níveis mais altos de desemprego, indicando a presença de viés anti-negro. Mesmo com níveis de educação semelhantes ou superiores, eles continuam a experimentar essas desigualdades em comparação com latinos não negros.
A pesquisa, conduzida por Misael Galdámez, Julia Silver, Dr. Rodrigo Dominguez-Villegas e Dra. Nancy López, utilizou dados de pesquisas do U.S. Census Bureau de 2010 a 2022. O estudo revelou que afro-latinas e mulheres negras tinham quase o dobro de probabilidade de enfrentar o desemprego em comparação com suas contrapartes brancas. De 2019 a 2020, mulheres negras e latinas não negras tiveram as maiores quedas anuais na participação da força de trabalho.
Até 2022, cerca de 76% das afro-latinas estavam empregadas ou buscando emprego, em comparação com 69% das latinas não negras, que apresentaram as taxas de participação mais baixas. Homens afro-latinos também enfrentam taxas de desemprego elevadas, sendo 1,6 vez mais propensos a estarem desempregados do que homens brancos.
O estudo da UCLA tem como objetivo destacar as condições desafiadoras do mercado de trabalho para indivíduos afro-latinos e compreender suas experiências socioeconômicas através da lente de fatores interseccionais, como gênero, status de imigração, origem nacional, etnia e raça.
“Indivíduos afro-latinxs são frequentemente esquecidos nas discussões sobre disparidades raciais e étnicas,.” – Dra. Nancy López, professora de sociologia na Universidade do Novo México e cofundadora e ex-diretora do Institute for the Study of “Race” and Social Justice. Cortesia da Dra. Nancy López.
“Indivíduos afro-latinos são frequentemente negligenciados em discussões sobre disparidades raciais e étnicas, mas nossos achados demonstram os desafios únicos que eles enfrentam no mercado de trabalho”, mencionou a Dra. Nancy López, professora de sociologia na Universidade do Novo México e cofundadora do Instituto para o Estudo da ‘Raça’ e Justiça Social. “Os dados indicam claramente a necessidade de intervenções políticas direcionadas.”
“Pesquisas interseccionais como esta são cruciais, pois trazem à tona as desigualdades dentro de nossa comunidade latina. Trabalhadores afro-latinos são frequentemente esquecidos em discussões mais amplas sobre disparidades”, acrescentou Misael Galdámez, analista sênior de pesquisa do UCLA LPPI.
O relatório da UCLA também indica que a discriminação e o viés anti-negro impactam os resultados do mercado de trabalho. Estudos sugerem que trabalhadores negros frequentemente enfrentam desemprego mais alto durante crises econômicas, um padrão que persiste há mais de quatro décadas. Empregadores frequentemente demonstram relutância em contratar trabalhadores negros devido a suposições infundadas sobre produtividade e histórico.
A pesquisa mostrou que afro-latinas eram marginalmente menos propensas a estarem desempregadas do que mulheres negras, mas mais propensas a estarem fora do mercado de trabalho em comparação com latinas não negras.
Além disso, o estudo revelou que trabalhadores afro-latinos entre 25 e 54 anos enfrentam vieses semelhantes no mercado de trabalho. A análise do UCLA LPPI descobriu que trabalhadores afro-latinos nascidos nos EUA tinham taxas de desemprego mais alinhadas com seus pares negros do que com latinos não negros entre 2010 e 2022. A influência do status de imigração nos resultados do mercado de trabalho é notável, já que imigrantes são frequentemente os primeiros a enfrentar o desemprego durante crises econômicas, o que pode contribuir para taxas de desemprego mais altas em grupos com populações imigrantes maiores.
Julia Silver, analista de pesquisa do UCLA LPPI, concluiu no comunicado à imprensa: “Ao focar nessa intersecção de raça, etnia, gênero, escolaridade e naturalidade, podemos entender melhor os desafios acumulados enfrentados pelas comunidades afro-latinas e defender políticas que abordem o anti-negritude. Esse tipo de pesquisa é vital para criar resultados mais equitativos no mercado de trabalho e garantir que todos os trabalhadores tenham a oportunidade de prosperar.”
Taxas de Desemprego para Trabalhadores Afro-Latinos, Latinos Não Negros e Negros por Gênero, Idades de 25 a 54 anos
1 = Desemprego Equivalente aos Pares Brancos Não Hispânicos
Taxas de Desemprego para Mulheres de 25 a 54 anos por Raça e Etnia, 2010 a 2022
Fonte: Análise do UCLA LPPI da amostra mensal básica de microdados de uso público da Current Population Survey (2010-2022).
Notas: Os dados referem-se à população civil não institucionalizada em idade ativa (25 a 54 anos) e não são ajustados sazonalmente. A população em idade ativa inclui pessoas com maior probabilidade de estar empregadas.
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