Antes da posse de Trump, defensores da imigração na Filadélfia pedem apoio a líderes locais

Defensores dizem que todos, desde o presidente em final de mandato até a prefeita da Filadélfia, precisarão lidar com os próximos quatro anos.

Por Nigel Thompson, em 18 de janeiro de 2025.

Esta imagem foi criada usando ferramentas de IA, especificamente o DALL·E da OpenAI. Este é um conteúdo gerado exclusivamente para este site e não retrata eventos ou pessoas reais.

Nancy Nguyen, da Vietlead, fala para uma multidão em frente ao escritório do ICE na Filadélfia durante um protesto pelo fechamento de centros de detenção, na quarta-feira, 21 de agosto de 2024. Foto: Nigel Thompson.

Foi apenas no último Natal que Nancy Nguyen realmente percebeu quantas festas Sereyrath "One" Van perdeu — primeiro durante seu tempo na prisão e agora enquanto está detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE - Immigration & Customs Enforcement) no Centro de Processamento do Vale de Moshannon, no Condado de Clearfield, Pensilvânia, cerca de 350 quilômetros de sua casa na Filadélfia.

“Já são sete Natais que ele perdeu”, disse Nguyen.

Como uma de suas principais defensoras à frente da Vietlead, Nguyen tem conversado muito com Van desde o verão, quando o ICE o deteve durante uma visita inesperada ao escritório regional, na Filadélfia. Ele foi enviado para sua segunda estadia em Moshannon desde que foi libertado da prisão após cumprir pena de uma condenação por motivo de drogas em 2018.

Apesar de tudo, Nguyen disse que One sempre foi seu “próprio defensor”.

“One é seu próprio advogado”, disse ela. “Toda vez que ele liga, está criando estratégias, analisando leis e considerando diferentes possibilidades porque nosso sistema jurídico simplesmente não faz sentido, assim como nosso sistema de imigração.”

“Estamos na terra dos livres, mas eu não me sinto livre, e os que estão aqui comigo também não se sentem livres”, disse One por viva-voz antes de um protesto em 18 de dezembro que bloqueou a Ponte Benjamin Franklin. “O que fizemos para merecer ser rotulados e transformados em bodes expiatórios?”


A voz de One para todos

Desde a vitória eleitoral de Donald Trump, em 2024, essa defesa de direitos se espalhou para toda a comunidade do sudeste asiático na Filadélfia e para outras comunidades imigrantes na cidade.

Diante do medo de ameaças de deportações em massa, detenções, grandes operações do ICE e mais, essas comunidades e seus defensores têm lutado com vozes como a de One no centro do palco.

“Estamos na terra dos livres, mas eu não me sinto livre, e os que estão aqui comigo também não se sentem livres”, disse One por viva-voz antes de um protesto em 18 de dezembro que bloqueou a Ponte Benjamin Franklin. “O que fizemos para merecer ser rotulados e transformados em bodes expiatórios?”


Apelo a líderes nacionais e locais

Treze ativistas foram presos naquele dia na ponte. O bloqueio exigia que o governo Biden tomasse mais medidas para proteger as comunidades imigrantes em seus últimos dias de mandato, destacando uma lista de 22 demandas compiladas pela Coalizão de Imigração da Pensilvânia (PICC, na sigla em inglês para Pennsylvania Immigration Coalition). Essas demandas incluíam o fechamento de centros de detenção de migrantes, o fim das atuais restrições de asilo e a redução do financiamento ao ICE, entre outras.

O governo Biden cumpriu apenas uma: a extensão do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês para Temporary Protected Status) para migrantes de países que já o tinham. A medida foi tomada em 10 de janeiro, estendendo o status para migrantes da Venezuela, El Salvador, Sudão e Ucrânia.

Não é apenas o governo federal que está sendo pressionado a agir em favor da proteção de imigrantes. Autoridades locais também estão sendo cobradas para proteger as comunidades que representam.

Antes da posse de Trump em 20 de janeiro, a Vietlead tentou fortalecer o caso de One entrando em contato com a deputada local Mary Gay Scanlon, na esperança de obter seu apoio. No entanto, Nguyen disse que Scanlon ainda não respondeu às ligações.

“Com sua recusa, pessoas como One e a seus familiares vão sofrer”, afirmou.

O silêncio da prefeita Parker

Fora do Congresso, a prefeita da Filadélfia, Cherelle Parker, também está sendo cobrada, não pela posição que assumiu para defender as comunidades imigrantes da cidade antes da posse, mas por seu silêncio a respeito do assunto.

Defensores organizaram várias manifestações na cidade, pedindo que Parker reafirme o status de cidade-santuário (1) antes do segundo mandato de Trump.

Alguns também são contrários ao uso contínuo do termo “santuário”, dado que Trump politizou a expressão. Ele ameaçou retirar financiamento, prender líderes locais ou, diretamente, forçá-los a implementar suas políticas de imigração em cidades por todo o país.

A Filadélfia tem sido uma das cidades mais firmes do país em obter essa designação, mas isso é frequentemente mal interpretado. Basicamente, significa que a Filadélfia não coopera com o ICE em seus esforços de detenção e deportação dentro da cidade.

Isso começou com o trabalho de defensores de imigração junto ao prefeito Jim Kenney, que emitiu uma ordem executiva em 2016 para encerrar o acordo de PARS (Sistema de Relatórios de Acusação Preliminar) com o ICE. Isso exigia que a polícia da Filadélfia informasse o ICE sempre que uma pessoa indocumentada fosse detida em uma prisão local, frequentemente levando à sua deportação. O primeiro governo Trump tentou processar a cidade para restabelecer a política, mas não teve sucesso.

Para capturar melhor o significado além de “santuário”, muitos defensores agora pedem uma reafirmação da política atual de retenções do ICE na cidade, destacando que o ICE ainda tem acordos de compartilhamento de dados com os tribunais da Filadélfia e dentro de seu sistema de liberdade condicional — algo que eles ainda esperam encerrar.

Em uma das poucas declarações sobre o assunto, o governo Parker afirmou que a ordem executiva de 2016 referente ao acordo PARS permanecerá em vigor.

Fora isso, a resposta da administração tem se mantido dentro dos objetivos de Parker para a Filadélfia: melhorar a segurança pública e a qualidade de vida dos moradores, sem responder à retórica do presidente eleito.

Quando contatada pelo Inti Media para comentar, a administração não respondeu.

A resposta deixou defensores como Nguyen apontando o que percebem como hipocrisia na mensagem de Parker.

“Eu a ouvi dizer repetidamente: ‘Somos uma Filadélfia, somos uma Filadélfia unida’, acho que esse é o slogan dela”, disse Nguyen. “Eu penso: ótimo, então o que isso significa em termos do que a cidade fará para proteger seus centenas de milhares de imigrantes e refugiados?”

Jasmine Rivera, diretora-executiva da PICC, durante uma coletiva de imprensa anunciando um novo estudo sobre o impacto dos imigrantes na Pensilvânia. Foto: Nigel Thompson.

Jasmine Rivera, diretora-executiva da Coalizão de Imigração e Cidadania da Pensilvânia (PICC), foi menos crítica com Parker, apontando sua oposição anterior a uma instalação planejada para abrigar crianças migrantes em seu distrito, quando ela era membra do Conselho Municipal da Filadélfia.

“Cherelle Parker se posicionou rapidamente e garantiu que isso não acontecesse na Filadélfia”, disse Rivera.

Ela também destacou a diversidade de imigrantes no distrito natal de Parker como razão para acreditar que ela defenderia os imigrantes da cidade.

“Já vimos ela ser essa defensora no passado e, mais uma vez, pedimos que seja essa líder”, disse Rivera.

Para One, embora ainda esteja em Moshannon, sempre o defensor, ele espera pegar a retórica de Trump e transformá-la.

“Trump trouxe a imigração para o centro das atenções para então dividir [as opiniões dos] os Estados Unidos e “isolar” os imigrantes. Mas, ao fazer isso, ele também fez dessa uma questão prioritária para os americanos”, disse ele à multidão perto da Ponte Ben Franklin. “Podemos usar isso a nosso favor enfatizando as lutas dos imigrantes e promovendo narrativas pró-imigração. Se não o fizermos, estaremos entregando os imigrantes de bandeja .”

Este artigo faz parte do Every Voice, Every Vote, um projeto colaborativo gerenciado pelo The Lenfest Institute for Journalism. O suporte principal para o Every Voice, Every Vote em 2024 e 2025 é fornecido pela William Penn Foundation com financiamento adicional do The Lenfest Institute for Journalism, Comcast NBC Universal, The John S. and James L. Knight Foundation, Henry L. Kimelman Family Foundation, Judy and Peter Leone, Arctos Foundation, Wyncote Foundation, 25th Century Foundation e Dolfinger-McMahon Foundation. Para saber mais sobre o projeto e ver uma lista completa de apoiadores, visite www.everyvoice-everyvote.org. O conteúdo editorial é criado independentemente dos doadores do projeto.

(1) Em geral, refere-se a uma política que limita ou define a extensão em que um governo local/estadual compartilhará informações com agentes federais de imigração. (ICE). Fonte: Global Refugee

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